ESCOLA DE SAGRES

BEM-VINDO À ESCOLA DE SAGRES!

Este espaço tem como objetivo divulgar as ideias, projetos, iniciativas do pesquisador e consultor educacional João Malheiro, doutor em educação pela UFRJ e pesquisador do Grupo de Pesquisa sobre Ética na Educação (GPEE-UFRJ)



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A RELAÇÃO SIMBIÓTICA DE UM PROJETO DE VIRTUDES COM UM PROJETO DE PRECEPTORIA NO AMBIENTE ESCOLAR



O presente trabalho tem como objetivo relatar uma descoberta educacional relevante, oriunda de uma experiência pessoal realizada num colégio de grande porte (6.000 alunos), no Rio de Janeiro, chamado Colégio Santa Mônica, entre 2014-2015. No primeiro ano foi implantado um Projeto de Virtudes, do 6º ano do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, que consistia basicamente em aulas sobre as virtudes morais que correspondem a cada segmento e idade. No ano seguinte, em paralelo a esse projeto, iniciou-se um novo Projeto de preceptoria, sem relação com o primeiro, que constituía em conversas com os alunos que desejassem sobre as dificuldades escolares. Inicialmente, esses projetos nasceram como independentes, com professores específicos para cada um, apenas coordenados por um único professor. No desenrolar desses trabalhos, entretanto, foi-se percebendo que ambos projetos se fortaleciam mutuamente numa autêntica relação simbiótica. Enquanto, por um lado, as aulas sobre virtudes despertavam o desejo dos alunos a procurarem os preceptores para concretizarem melhor aqueles conceitos mais abstratos, por outro, as conversas de preceptoria levavam os estudantes a valorizarem mais o aprendizado teórico. Aos poucos foi-se concluindo que os dois projetos faziam parte de um único projeto, intrinsicamente unidos, e que a ausência de um deles comprometeria o sucesso do outro. Com um conjunto de aulas teóricas sobre como viver as virtudes em casa, na escola e na convivência social, sem essa concretização personalizada, podia-se correr o risco de não só se perderem com o passar do tempo, como acontece com tantos conhecimentos escolares desconexos do contexto dos alunos, como também de se tornar um conteúdo enfadonho e desinteressante. E as entrevistas de preceptoria sem uma base sólida de virtudes, podiam colocar em perigo as orientações a médio e longo prazo, por se tornarem vazias e pouco eficazes. De alguma maneira, a experiência ocorrida no Colégio Santa Monica foi mais uma comprovação empírica de que para educar corretamente o ser humano não basta alimentar apenas a razão teórica, aquela que é iluminada com o conhecimento mais abstrato, mas que é preciso valorizar também a educação da razão prática, aquela que promove não só o fortalecimento da vontade, mas também a capacidade de descobrir os meios mais adequados para chegar aos fins. O que acaba sendo verdadeiramente interiorizado é o exemplo, a conversa, a convivência, e não só a teoria, uma boa aula, um bom livro. Podíamos dizer, portanto, que essa descoberta iluminou uma ideia mais de fundo, que de alguma maneira é o que este trabalho pretende recordar para o mundo escolar: que não basta pesquisar novas metodologias de ensino-aprendizagem, novos conteúdos, novas didáticas, por mais revolucionárias e criativas que possam parecer, se em paralelo não se aprofunda como o aluno deve amadurecer para aprender. Muitos professores têm a experiência de que por mais deslumbrante que seja uma aula, tanto pelo conteúdo quanto pelos meios de última geração tecnológica, nem sempre esses recursos são suficientes para que os alunos adquiram e retenham corretamente o conhecimento. De alguma maneira, essa experiência veio reforçar mais uma vez uma tese que, infelizmente, tem sido desconsiderada na ciência educativa nos últimos anos: que existe de fato uma conexão antropológica entre as potências humanas da inteligência, vontade e afetividade e quando elas estão sendo aperfeiçoadas e fortalecidas pelas virtudes, em parte, podem determinar a aprendizagem dos alunos. Se um professor quer ensinar com bons resultados matemática, português, história, ciências, não basta simplesmente expor o conteúdo, como sempre se fez, apoiado somente na sua capacidade e conhecimento. Ele precisa ensinar também dentro do seu conteúdo a ética das virtudes. Dessa maneira, conseguirá que o estudante queira aprender de uma forma mais eficaz, tornando-se mais protagonista do seu próprio aprendizado. Está comprovado em estudos recentes que esta é a nova tendência da educação: a personalização do ensino. Mas para que isso seja viável, é necessário investir e pesquisar como tornar o alunado mais maduro. Sem fortalecer a sua boa autonomia, dificilmente se conseguirá subir neste novo patamar da educação. Outro aspecto relevante desse aprendizado das virtudes, e que se soma ao anterior, é que ele gerará também uma maior inteligência emocional naqueles alunos que possam ter possíveis antipatias com as matérias que eventualmente não gostem ou facilitar que aceitem o professor que por ventura não agrade, porque ensina de forma deficitária, porque ele mesmo é imaturo ou por outros motivos. Um professor que tenha este novo perfil ético, com o verdadeiro zelo educativo, poderá vislumbrar que o conteúdo de sua disciplina deve ser, além de um fim em si mesmo, um meio para alcançar outros fins igualmente nobres. A matemática, por exemplo, deverá ser a base de um futuro raciocínio lógico mais arguto, que auxiliará o aluno depois a não confundir os fins pelos meios e vice-versa. O português será o veículo entre o pensamento e a comunicação, indispensável para expressar suas próprias ideias e compreender a si mesmo e ao mundo que lhe rodeia. A história gerará ricos ensinamentos guardados durante séculos, proporcionará modelos bons e maus para se espelhar e oferecerá perspectivas futuras mais motivadoras. A ciências será o caminho mais rápido para a descoberta da sua origem, do seu destino, das suas limitações como criatura, da sua transcendência, e de alguma maneira a natureza lhe encantará com a verdadeira beleza. Para que tudo isto aconteça, podemos concluir que a formação inicial de professores, nos dias que correm, tem que mergulhar urgentemente nessa ciência ética, dentro de suas disciplinas básicas, de maneira a estar habilitada para esta nova geração de professores preceptores que o mundo atual demanda.

Referências Bibliográficas

Malheiro, J. (2014). Escola com Corpo e Alma: um manual de ética para pais, professores e alunos. Curitiba: CRV Ltda
Hernando Calvo, Alfredo (2016). Viagem à escola do século XXI: assim trabalham os colégios mais inovadores do mundo. São Paulo: Fundação Telefônica Vivo.

Isaacs, D. (2010). El trabajo de los profesores. Virtudes en los educadores. Pamplona: EUNSA

Poster do I Congresso Brasileiro de Educação Personalizada

Apresento abaixo o Póster que será apresentado no I Congresso Brasileiro de Educação Personalizada de 20 a 21 de outubro de 2017. As inscrições estão abertas no link:
http://educacaopersonalizada.org.br/o-evento/



Temário de 60 palestras em ppt já ministradas em instituições de ensino

2017

A administração do tempo: o uso da agenda
A Alma da Escola: a formação integral.
A descoberta do meu futuro: o temperamento e as profissões
A educação personalizada e a questão da socialização
A educação personalizada
A Ética e o resgate das virtudes
A felicidade humana
A fortaleza
A frivolidade: o vazio existencial
A importância socioeconômica e educativa da cultura e entretenimento
A motivação correta e completa
A paixão pelo ensino: o professor protagonista da formação do aluno
A sinceridade
A sobriedade na infância
As fugas do homem
As preocupações atuais de pais e professores com a juventude
As virtudes sobrenaturais e a graça
Educação personalizada e diferenciada por sexo
Educar no Amor: uma missão de pais e professores
Família e Escola: dois aliados vencedores
Liderando-se a si mesmo
O indiferentismo ético
O papel das virtudes éticas na conquista da maturidade
Os caminhos da droga
Proibido proibir: fronteiras, limites e dependências
Regendo a motivação na sala de aula
Valores e jovens de caráter
Virtude da temperança: o AEIOU da educação infantil
Mapa das virtudes
Virtude da fortaleza: exigência de pais e professores.
Como educar meu filho na verdadeira liberdade
Os segredos da comunicação eficaz entre pais e filhos
A nova pedagogia e o esvaziamento da pessoa humana
A dignidade da pessoa humana: 3 níveis de cultura
A virtude da temperança - O Ornato Exterior – O uso das coisas – Educação Infantil
A descoberta do meu temperamento (Keirsey)
A Inteligência emocional
As virtudes da convivência – Boa Ordem -
O Homem Bolha – As virtudes da convivência
A Força do Exemplo na Educação dos filhos
Educar no Encanto: a boa e a má estimulação
Educar com limites, mas sem traumas
A boa conduta: a beleza interior e a confusão de gênero
Educar na responsabilidade
A formação das capacidades socioemocionais nos primeiros anos da vida da criança
A resiliência - vencendo as dificuldades
Aprender a mandar. Ensinar a obedecer.
As principais mudanças numa criança de 6 anos.
O que os filhos esperam dos pais
Educação Singular (single-sex education) -   5 Ideias mães - Formaçáo de professores
Educar na realidade e na descoberta
A virtude da obediência no fundamental I
A Educação da virtude na educação infantil 
A Educação da virtude no Fundamental I
A Educação da virtude no Fundamental II
O Zelo Educativo: o pré-requisito do bom educador
A verdadeira beleza que atrai
Como conseguir a força de vontade nos estudos
Como estudar as matérias de exatas
Déficit de atenção

O ENEM é importante, mas precisa ir mais fundo



Muitas pessoas, nas inúmeras palestras que ministro em diversas instituições de ensino, costumam me perguntar atualmente:  “Afinal, como é que o Senhor está vendo o futuro da educação”? A resposta é simples: muito desastrosa, porque as pessoas deixaram de se questionar com o essencial da educação. Os pais, professores, novos sistemas de ensino estão se preocupando somente com os meios educativos – o que ensinar, como ensinar, resultados acadêmicos - e esquecem de refletir sobre o que é o mais importante: quais são os verdadeiros fins da educação que levem ao perfeito desenvolvimento da pessoa humana.

Congresso de Educação na Universidade Católica de Petrópolis - Setembro 2016


TEMA: Como formar as capacidades socioemocionais na escola

PARTICIPANTES: 500 professores

ESCOLAS: 30 da cidade de Petrópolis, Teresópolis, Guapimirim e outras menores da região




A TUTORIA NA ESCOLA: UMA MANIFESTAÇÃO DO VERDADEIRO ZELO EDUCATIVO

                                              
                                             O conhecimento antropológico sobre a pessoa humana, nos dias que correm, encontra-se bastante débil. Consequentemente, muitas pessoas, tanto nas famílias quanto nas escolas, não sabem já o que é educar realmente o ser humano. Existe como que uma cegueira que impossibilita descobrir e valorizar um dos principais objetivos educativos do momento: o desenvolvimento e integração das potências humanas – inteligência, vontade e afetividade – para uma ação correta da criança.  Essas potências se encontram hoje nelas completamente soltas, independentes, atrofiadas ou hipertrofiadas e uma grande maioria dos educadores não sabe que uma das suas principais missões é voltar a juntá-las e harmonizá-las. Quando isso não acontece, provoca-se o que eu chamo de um “desmonte” da pessoa humana. Hoje busca-se educar não mais a verdadeira e única natureza humana, mas uma nova natureza, “não humana”, criada pelo homem pós-moderno, que leva a valorizar de forma excessiva a parte afetiva. O fracasso educativo se comprova, depois, na imensa maioria das pessoas nos dias atuais.

UM PROJETO PARA AS ESCOLAS

  



A formação das 
capacidades socioemocionais



Por que deste projeto
                As escolas estão percebendo cada vez mais que não basta oferecer aos seus alunos apenas uma formação técnica de qualidade se querem obter resultados satisfatórios no processo ensino-aprendizagem. É preciso investir também na formação do seu caráter para construir alunos maduros e capazes de enfrentar as dificuldades escolares com paciência, criatividade e confiança em si e nos outros. O mercado de trabalho está valorizando e buscando atualmente pessoas capazes de arcar com as próprias responsabilidades e de demonstrar atitudes e princípios éticos.
Como construir alunos maduros?
Causou recentemente um grande impacto nos Estados Unidos o livro Uma questão de caráter, do jornalista de educação Paul Tough, do New York Times. Ele chama a atenção para o peso da formação do caráter e de certas características, como a resiliência, ou seja, a capacidade de superar dificuldades e fracassos, para obter alunos diferenciados. Para o jornalista, é preciso mostrar também para os pais a importância de não proteger excessivamente os filhos dos problemas reais e das consequências dos fracassos. Somente formando nas capacidades socioemocionais, também chamadas virtudes, será possível desenvolver características que considera essenciais: otimismo, determinação, curiosidade, inteligência emocional, autocontrole, companheirismo.
O que são capacidades socioemocionais?
                A abordagem das competências socioemocionais desbrava caminhos pouco explorados na educação nas últimas décadas. A ideia não é criar um roteiro de comportamentos desejáveis, mas de ensinar a formar hábitos bons que facilitarão os alunos a conviver em sociedade e atuar de forma ativa e positiva na escola e na família. Depois da interiorização desses hábitos, a criança cria uma inclinação conatural para realizar mais facilmente as melhores escolhas, tornando-a virtuosa e feliz.

O MEDO DE EDUCAR NAS VIRTUDES



Num recente Congresso Regional de Educação, após expor o tema “O papel das virtudes éticas na motivação escolar da criança”, recebi uma pergunta, em tom meio desafiador, de uma professora já em fim de carreira, sem dúvida bem intencionada: “Quer dizer então que você quer voltar a ’vestir‘ nossas crianças com uma ’camisa de força‘ ensinando-lhes a prática das virtudes?” Com muito respeito e compreensão, respondi com serenidade à provocação, enquanto pensava para comigo: “Aqui está a expressão do medo atual dos pais, professores e educadores em geral de ensinar as virtudes morais na família e na escola”.
                Efetivamente, no imaginário coletivo de muitos responsáveis pela educação, o conceito de virtude está associado a traumas, repressão, perda da liberdade e da autenticidade, tristeza, formatação e muitos outros sentimentos que a mistura da psicologia com filosofias modernistas se encarregaram de introduzir em nossa cultura. Por outro lado, nós, educadores atuantes, percebemos hoje em sala de aula a partir da perspectiva histórica que os anos dão, que ter deixado nossas crianças vestir a “camisa de força das próprias paixões irracionais”, que é o que acontece na prática quando não se educa nas virtudes, foi muito pior e “escravizante”. Os alunos estão em geral completamente desmotivados, falta-lhes muitas vezes capacidade de vislumbrarem ideais mais valiosos; sofrem de desamor e solidão de forma precoce e por isso desrespeitam os demais; estão imaturos para a idade; a preguiça e inconstância nos objetivos os enfraquecem; não sabem o que fazer com a afetividade desgovernada e, ao sentirem medo da vida e da realidade, se refugiam em diversas “bolhas” cada vez mais densas e mais nocivas para a sua felicidade.
              

EDUCAR NA VERDADEIRA BELEZA QUE ATRAI



(Palestra ministrada no Colégio Santa Mônica para os professores da Educação Infantil e Fundamental I)

A boa conduta: a beleza interior da criança



Depois de ter desenvolvido, nos artigos anteriores, alguns aspectos práticos em torno aos hábitos da ordem e da boa convivência para a aquisição da virtude da temperança, neste artigo aprofundaremos em um terceiro campo que também é decisivo para o fortalecimento desse hábito afetivo: a boa conduta.
À primeira vista, poderá parecer repetitivo voltar a enfocar alguns hábitos sobre a boa comunicação, a boa postura, a forma correta de se vestir, de brincar, uma vez que já foram usados para exemplificar alguns aspectos desses hábitos da temperança. Entretanto, gostaria de alertar o leitor que o objetivo principal da boa conduta não se relaciona com a melhora dos fatores exógenos da criança (cuidados com as coisas e pessoas), mas sim dos endógenos (cuidados com ela mesma e o seu interior). Sua perspectiva principal está em auxiliar todos os educadores na descoberta da verdadeira beleza humana, como ela se constitui e se desenvolve, de maneira a fortalecê-los contra a pressão cultural contemporânea que quer impor uma pobre e falsa conceituação de beleza, desumanizando a pessoa humana.

A virtude da generosidade



(Palestra ministrada no Curso de Formação Continuada para professores da Educação Infantil e Fundamental I do Colégio Santa Mônica)

Educar para a generosidade

Artigo do meu  livro Escola com Corpo e Alma, um Manual de Ética para Pais, professores e alunos.



O famoso poeta espanhol Antonio Machado diz em um dos seus versos que “um coração solitário não é um coração”. Efetivamente, um coração vazio de amor, sempre deixa o homem estranho. Às vezes pode ser difícil descobrir a causa desse vazio, mas quase sempre o diagnóstico aponta para uma falha educativa familiar e escolar nos seus primeiros anos de vida. Seja por ignorância, seja por egoísmo disfarçado, muitos pais/professores hoje acreditam que demonstrar amor aos filhos/alunos é enchê-los de bens materiais, protegê-los de forma exagerada ou, ainda, satisfazer-lhes seus desejos de forma desmedida, temendo contristá-los com alguma renúncia.

A importância dos primeiros anos na vida escolar



Palestra para os pais do COLÉGIO SANTA MÔNICA (Unidade São Gonçalo)

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