ESCOLA DE SAGRES

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Este espaço tem como objetivo divulgar as ideias, projetos, iniciativas do pesquisador e consultor educacional João Malheiro, doutor em educação pela UFRJ e pesquisador do Grupo de Pesquisa sobre Ética na Educação (GPEE-UFRJ)



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A DIVERSÃO E A “NIGHT”


A night – como é vulgarmente chamada – traz aos adolecentes (e aos adolescentes tardios....) todo o encanto de experimentar pela primeira vez uma sensação de liberdade, de independência, de prazer que, naturalmente, é essencial em todo o processo dinâmico da passagem da fase denominada adolescência para a adulta. A noite, sem tempo nem espaço, onde “todos os gatos são pardos”, tem um poder sedutor imenso para todo o jovem que anda em busca da sua identidade, do seu primeiro romance e das primeiras amizades mais profundas e duradouras. Por outro lado, os pais e educadores não podem ser ingênuos e pensar que não devem interferir nessa fase da vida de seus filhos. Argumentos como “o importante é deixá-los experimentar, para poderem gozar um pouco a vida a que têm direito” são falaciosos. Quantos pais hoje se arrependem de não ter sido mais firmes no momento de “negociar” as saídas! É preciso ter consciência de que o jovem, nessa idade, sente-se cada vez mais inseguro e indefeso para filtrar as mensagens que recebe todos os dias pelos veículos de comunicação e pelos amigos. Essas dissonâncias afetivas, que todos os corações jovens experimentam e sofrem, levam-nos a buscar alguma forma de compensação. O “deixar-se levar” pelo que a maioria faz para se sentir aceito, estimado e amado é normalmente a solução da maioria. O grande “protagonista” no processo decisório não é a própria cabeça do adolescente, aquilo que os seus valores – até então inquestionáveis – exigem dele, mas um sentimento cego e muitas vezes terrorista. É nessa hora que a presença “virtual” do conselho amigo dos pais é decisivo. Quando a comunicação entre pais e filhos é uma realidade quotidiana, em que existe tempo para se dedicarem afetuosamente uns aos outros, os riscos são sensivelmente diminuídos. Entretanto, quando o descontrole e a passividade reinam na vida familiar, os desgostos futuros serão uma decorrência inevitável. É fundamental “negociar” as saídas com os filhos. Aonde vão, a que hora chegarão, com quem vão, como vão – mesmo que isso possa parecer “careta” e “antipopular”. Uma indicação precisa, uma dica de prudência, um conselho soprado ao ouvido, dados com carinho e confiança, têm uma força enorme. Muitos pais dizem que se sentem distantes dos filhos e privados de autoridade. É natural que a confiança e o respeito pela autoridade – dois pré-requisitos essenciais de toda a educação – não sejam características inatas e nem próprias da adolescência. Por isso mesmo é mais necessário conquistá-las com o exemplo e o diálogo. Quantas vezes a indiscutida autoridade paterna – onipresente e perfeita – é esfumaçada quando os pais também chegam da night a altas horas e cheirando a bebida. Ou ainda, quando o que dizem ou mandam não é coerente com o que vivem. Outras vezes, a dificuldade em ganhar a confiança dos filhos é uma decorrência de atitudes despóticas e inflexíveis, como se os jovens fossem “bibelôs” que se deixam dispor passivamente... É muitíssimo eficaz deixá-los opinar quando nos consultam sobre os seus projetos, mesmo que nós os consideremos imprudentes, e até quando realmente o são... E também é altamente produtivo pedir-lhes conselho em decisões pessoais e familiares... E pode ser decisiva ainda, inúmeras vezes, um bom passeio no domingo à tarde ou a ida estafante ao estádio de futebol... Saibamos defender os nossos filhos, pois são o nosso grande tesouro! Percamos o medo de aconselhá-los, de negociar e às vezes de exigir. E não deixemos também de mostrar-lhes que a night não é o único modo de divertir-se e tornar-se independente. Há muitas outras formas interessantes de diversão que eles poderiam e deveriam conhecer.

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