ESCOLA DE SAGRES

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Este espaço tem como objetivo divulgar as ideias, projetos, iniciativas do pesquisador e consultor educacional João Malheiro, doutor em educação pela UFRJ e pesquisador do Grupo de Pesquisa sobre Ética na Educação (GPEE-UFRJ)



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A boa conduta: a beleza interior da criança



Depois de ter desenvolvido, nos artigos anteriores, alguns aspectos práticos em torno aos hábitos da ordem e da boa convivência para a aquisição da virtude da temperança, neste artigo aprofundaremos em um terceiro campo que também é decisivo para o fortalecimento desse hábito afetivo: a boa conduta.
À primeira vista, poderá parecer repetitivo voltar a enfocar alguns hábitos sobre a boa comunicação, a boa postura, a forma correta de se vestir, de brincar, uma vez que já foram usados para exemplificar alguns aspectos desses hábitos da temperança. Entretanto, gostaria de alertar o leitor que o objetivo principal da boa conduta não se relaciona com a melhora dos fatores exógenos da criança (cuidados com as coisas e pessoas), mas sim dos endógenos (cuidados com ela mesma e o seu interior). Sua perspectiva principal está em auxiliar todos os educadores na descoberta da verdadeira beleza humana, como ela se constitui e se desenvolve, de maneira a fortalecê-los contra a pressão cultural contemporânea que quer impor uma pobre e falsa conceituação de beleza, desumanizando a pessoa humana.
  Obviamente, neste espaço curto, não se pretende aprofundar nas várias perspectivas que ao longo da história vários filósofos foram construindo sobre a beleza. Seguirei a perspectiva clássica calcada em Aristóteles e Tomás de Aquino que coloca a beleza como um dos transcendentais do “ser”. Os que mais se relacionam com a beleza são a verdade e bondade. Os transcendentais do ser dizem respeito a características que todos os seres, pelo simples fato de existirem, possuem, cada um em maior ou menor grau.
  Segundo essa visão clássica, todo o ente, pelo simples fato de existir, é passível de ser conhecido pela inteligência. Além do mais, quanto maior for a harmonia, o equilíbrio, a proporcionalidade e a perfeição desse ser, mais provocará agrado no sentimento e admiração na inteligência. Por fim, quanto maior o seu grau de bondade, porque aperfeiçoa e facilita os seres humanos nessa bondade, mais a vontade o quererá. Como vemos, assim como existe uma inter-relação entre as potências do homem – inteligência, vontade e afetividade – também existe uma relação intrínseca entre verdade, bondade e beleza. Como já dizia Oteros, no seu livro Educar la voluntad, “Verdade, Bem e Beleza são três tipos de valores estreitamente relacionados entre si, porque verdade, bem e beleza são termos inseparáveis de um trinômio. Se alguém tentasse separá-los, encontrar-se-ia com uma Verdade má e feia, com um Bem feio e falso ou com uma Beleza falsa e má”. Sócrates, filósofo predecessor a Aristóteles, também afirmava, por Platão, que “a beleza é a expressão da verdade e da bondade”.
  Além dessa unidade metafísica nos transcendentais, existe uma evolução gradativa entre eles: só pode ser admirado (pela inteligência) e querido (pela vontade) aquele bem que for previamente conhecido. Em seguida, antes de se querer para si esse bem conhecido, dever-se-á experimentar uma sensação de agrado (pela afetividade), provocado por esse bem. Só depois de conhecido e apetecido, será possível à vontade querê-lo de fato com todas as forças. Portanto, podemos concluir que o ser humano foi criado para buscar primeiro a verdade sobre as coisas, encantar-se com a beleza dessa verdade e só depois desse processo, que poderá ser mais ou menos longo, querer o bem que a sua vontade procura para ser feliz. Ora, enquanto a verdade e a bondade estão ligadas a cada uma das potências da alma (verdade com a inteligência e a bondade com a vontade), a beleza se envolve com essas duas faculdades, entrelaçando-as com a afetividade. A beleza pode ser definida então como uma característica de todo o ser que gere uma certa ação de contemplação atrativa e prazerosa.
  Partindo de tudo o que explicamos acima, podemos concluir que o verdadeiro conceito de beleza é muito superior à beleza meramente externa, superficial, epidérmica. Ela não pode estar associada apenas ao aspecto afetivo/sentimental da pessoa humana, como pretendia Kant e outros filósofos contemporâneos. Ficou evidenciado que deve existir um substrato objetivo, passível de ser captado pela inteligência, que faz com que a sensação estética, muitas vezes captada de forma intuitiva, possa ser depois explicada pela ciência estética, parte constitutiva da filosofia. A proporção áurea, por exemplo, muito usada em várias artes (música, pintura, arquitetura, etc.), desde os tempos mais remotos, é uma dessas magias da estética. Portanto, fica fácil ter a percepção de como é decepcionante descobrir, depois que se gastou uma enorme quantia, que um colar de brilhantes é falso e mera imitação. Como fica feia, por exemplo, uma menina jovem, loirinha de olhos azuis, que fale palavrão, cuspa no chão ou só saiba se comunicar com grunhidos. Como afirmou Evanildo Bechara, gramático brasileiro, numa entrevista a uma revista semanal em 2011: “Ninguém de bom senso discorda que a expressão popular tem validade como forma de comunicação. Só que é preciso que se reconheça que a língua culta reúne infinitamente mais qualidades e valores. Ela é a única que consegue produzir e traduzir os pensamentos que circulam no mundo da filosofia, da literatura, das artes e das ciências. A linguagem popular, por sua vez, não apresenta vocabulário nem tampouco estatura gramatical que permitam desenvolver ideias de maior complexidade, tão caras a uma sociedade que almeja evoluir.” Daqui podemos vislumbrar a importância que pode ter hoje educar na estética. Na medida em que se fomenta na criança uma compreensão mais profunda da beleza, de forma indireta os educadores estarão despertando um maior desenvolvimento de suas potencialidades racionais, volitivas e afetivas.
  Blasco, preocupado com a educação integral do estudante por meio do cinema, em sua obra “Cinema para o estudante de medicina: um recurso afetivo/efetivo na Educação Humanística” pergunta: “Não será um possível risco educar apenas a sensibilidade, ancorar-se apenas na estética e nas emoções, sendo que os outros valores – o bom, o verdadeiro – permanecem conceitos estranhos, pouco definidos para o estudante de hoje? Não seria esta uma educação fictícia, que não atingiria o núcleo do educando que busca promover atitudes duradouras e maduras? Sou da opinião que é impossível adquirir valores, progredir em virtudes, incorporar atitudes, sem um prévio processo de reflexão. É justamente desencadear este processo de reflexão, mediante recursos próximos ao estudante, o que se pretende com a estética, da qual o aprendizado através do cinema faz parte”. Alinhando com educador espanhol, acredito que quando um educador procura mostrar para um jovem a estética correta do vestir, do comer, do andar não está se agarrando apenas a regras de etiqueta que a cultura impôs em determinada época histórica, mas está querendo que ele descubra, por trás desses cuidados de boa conduta, a valorização de uma rica interioridade, que ele precisa protegê-la; e a originalidade de sua própria identidade, que necessita aceitá-la e guardá-la.
  Sax, médico com mais de 20 anos de experiência com transtornos de adolescentes americanos, lançou recentemente um livro nos EUA, intitulado Girls on the edge (Meninas no limite) no qual afirma de modo enfático que um dos maiores problemas das jovens de hoje é a carência da verdadeira identidade como mulheres. Segundo ele, o primeiro fator que enfraquece essa identidade está associado à precocidade e hipersexualização das meninas. “A sexualidade, afirma Sax, diz respeito a quem você é, não à sua aparência. Quando se estimula nas meninas –às vezes são as próprias mães as responsáveis- para que tenham um jeito sexy, sem saberem ainda o que venha a ser a sexualidade, estão induzindo-as a uma mentira”. Para os garotos e os homens a sexualidade é muitas vezes a motivação para um relacionamento; pelo contrário, para as meninas, é a intimidade de um relacionamento estável, sentirem-se amadas e cuidadas, o que precede e dá sentido à sexualidade. Quando não encontram isto, sentem-se profundamente frustradas e enganadas. “As mulheres querem atenção, mas a cultura atual faz com que confundam atenção com estímulo sexual”, diz Sax. O foco está completamente voltado para o seu próprio corpo, e a aparência corporal acaba substituindo o núcleo íntimo da personalidade. É triste encontrar, nos dias que correm, salões de beleza repletos de meninas e adolescentes buscando essa beleza epidérmica. Talvez por isso, Sax traga outro dado que assusta e faz pensar: “as consultas nos serviços de psiquiatria cresceram 400% em meninas, comparado com 70% em garotos, em dez anos. E os antidepressivos em mulheres dobraram na última década: uma de cada oito mulheres toma antidepressivos”.
  Na “Carta aos Artistas”, de 1999, João Paulo II dizia que beleza, encanto e entusiasmo andam juntos. “Já no limiar do terceiro milênio, desejo a todos vós, artistas caríssimos, que sejais abençoados, com particular intensidade, por essas inspirações criativas. A beleza, que transmitireis às gerações futuras, seja tal que avive nelas o encanto. Diante da sacralidade da vida e do ser humano, diante das maravilhas do universo, o encanto é a única atitude condigna. De tal encanto poderá brotar aquele entusiasmo que me referi antes. Os homens de hoje e de amanhã têm necessidade deste entusiasmo, para enfrentar e vencer os desafios cruciais que se prefiguram no horizonte. Com tal entusiasmo, a humanidade poderá, depois de cada extravio, levantar-se de novo e retomar o seu caminho. Precisamente neste sentido foi dito, com profunda intuição, por Dostoiévski na obra O Idiota a famosa máxima: “a beleza salvará o mundo’ (n.º 25 da “Carta aos artistas”).
  Todo o professor é um artista. Os clássicos definiam a educação como “ars cooperativa naturae” (a arte de cooperar com a natureza). Precisamos despertar em todos os educadores – pais e professores – esse talento muitas vezes latente para educar no encanto. Trata-se de não queimar etapas, de deixar as crianças viverem os anos da primeira infância com plenitude, sem obsessões de preencher o tempo com inúmeras atividades escolares e extracurriculares. É importante que nos primeiros anos de vida a criança fique perto da natureza, dos animais, da lama, da chuva. Ela precisa ter tempo para se encantar com o crescimento de uma semente, de um pintinho, de uma borboleta. Depois, nos anos seguintes, ela precisa ser incentivada a se encantar com as boas brincadeiras, que exigem criatividade, mistério, coragem, paciência, amizade... Quando se educa no encanto, como diz João Paulo II, a criança ganha entusiasmo para viver, para lutar, para vencer. Sentir-se-á mais completa por dentro, porque terá mais capacidades de entrar na realidade que a circunda. Ela começa a descobrir a beleza do espírito, muito mais rica que a meramente material. Não deixemos, como pais e educadores, que a indústria da diversão, com seus recursos atrativos, muitas vezes alienantes, substitua o real pelo virtual. Ou pior ainda, que se infiltre de forma subliminar em nossos lares o culto ao feio, como querem diversos desenhos animados, bibelôs (“kitsch”) ou brinquedos (bonecas Monsters High) da atualidade. São eles muitas vezes que abafam a beleza do espírito e, como forma de compensação, os jovens são pressionados a buscar novas belezas materiais, para se valorizarem, como tatuagens, piercing ou belezas corporais nas academias. Se soubermos proteger nossas crianças destas tendências maldosas, conseguiremos que elas aos poucos desenvolvam a capacidade de admiração e de sentimento da Beleza perfeita (agora com “B” maiúsculo) que lhes facilitará entrarem no mundo do espírito. E é o espírito que nos faz abrir-nos aos outros e desejar-lhes o bem. Assim, como a falta dele, nos obriga a tratar aos outros como objeto. Mais uma vez, podemos enxergar a relação que existe entre a beleza verdadeira e a bondade. Como fica evidente nos dias que correm contemplarmos em tantas novelas de TV o amor feio. Quando o sexo está desvinculado do amor-bondade e do amor-doação, e é “comercializado” apenas como uma forma de amor-apetência, ele se transforma em amor feio e degradante, gerando apenas tristeza, vazio e solidão.
  Penso que, depois de termos refletido juntos sobre o verdadeiro conceito de Beleza, fica mais fácil agora exemplificar alguns campos de atuação que os educadores devem ensinar nos lares e nos ambientes escolares, a fim de que, parafraseando o Papa, a prática da Beleza não somente salve o mundo, mas também, e de forma premente, a educação!
  Costuma-se dividir a boa conduta em quatro campos para maior atenção: a forma correta de comunicar-se, o exercício da postura mais adequada, o bom gosto no vestir e alguns cuidados no brincar e na diversão. Vejamos alguns casos concretos.
  A comunicação correta e elegante está muito associada aos modelos de aprendizagem que a criança fica exposta na família e na comunidade que a cerca. Por isso, naturalmente, se em todos os campos das virtudes o exemplo dos educadores é fundamental, neste é essencial. A alfabetização não ocorre somente nos primeiros anos de vida, mas ela só se concluiu no final da adolescência. Quantas vezes é possível afirmar: “ Olhe como ele fala igual ao pai”. “Esse seu jeito de reclamar é igualzinho ao de sua mãe”. “Que novas companhias sua filha tem andado, porque só fala palavrão ultimamente”. Conscientes desta responsabilidade formativa, os educadores têm que estar continuamente se vigiando e se corrigindo mutuamente para que a sua forma de se comunicar com os seus educandos seja sempre serena, calma, correta, positiva e culta. Para isso, além de intensificar a leitura, é importante um esforço sincero para não permitir entrar no ambiente familiar ou escolar o baixo calão, formas depreciativas ou ainda de deboche. Além destes cuidados, é importante ensinar às crianças a esperar a vez de falar, que saibam escutar enquanto o outro fala, que não se deve falar com a boca cheia, enquanto se come, que deve haver um “regulador de voz” para ser utilizado conforme as circunstâncias: numa Igreja eu devo falar baixo, numa sala de espera eu devo ser discreto, numa sala de aula eu devo vencer a timidez e perder o medo de perguntar, levantando sempre a mão, como forma de respeito ao professor e aos colegas. Por fim, é importante ensinar-lhes que existem muitas outras formas de comunicação – chamadas formas semióticas – que podem traduzir estados interiores de ansiedade, irritação, desprezo, como ficar se coçando, roer as unhas, não olhar nos olhos quando se fala com as pessoas, não responder a um cumprimento na rua, etc. É bom lembrar que a educação sempre se realiza com a comunicação. Todo o processo educativo necessita de uma boa comunicação. Em muitos problemas educacionais tanto no âmbito familiar quanto escolar uma das causas principais está na falha de comunicação. Ou é uma falha nas “explicadeiras” ou é uma falha na “entendedeiras”. Às vezes, nas duas. E esta deficiência aos poucos pode produzir uma educação feia e pouca atrativa.
  O segundo campo que determinará uma boa conduta, produtora de beleza, é a postura, que se pode traduzir, em uma série de cuidados no andar, comer, beber, limpar-se, colocar-se em determinado ambiente. O educador terá que ensinar então que nem sempre se poderá correr num corredor, e que é preciso andar com elegância, de forma ereta, que não ficará bem colocar o dedo no nariz, mas é preciso utilizar o lenço de forma adequada, que não é muito educado andar habitualmente despenteado ou sujo ou cheirando mal, que não se boceja sem colocar a mão na frente da boca, que é preciso saber escolher o momento correto para brincar com os irmãos ou colegas de classe e que fica feio ficar empurrando nos corredores ou na saída de um ambiente para outro. Portanto, desde cedo, a criança precisa ganhar gosto pela elegância, pelo porte exterior, por manter um estilo equilibrado e comedido no temperamento, pois todos esses fatores no seu conjunto estarão gerando a uma parte importante da Beleza humana.
  Um terceiro campo bastante vasto e que, infelizmente hoje em dia, é uma das vias de manipulação perversa, é toda a temática da moda e do vestuário. O significado que a roupa sempre trouxe na comunicação – por exemplo, trajar uma roupa para um jantar de festa significava deferência pelos convidados, andar de roupão pela casa em horas de descanso traduzia respeito pelo corpo e pela própria intimidade, etc. – hoje, numa cultura relativista e niilista, estes valores estão se perdendo. Conforme já foi abordado neste artigo, quando a beleza humana ficou depreciada pela pressão de certa cultura hedonista e materialista, na qual a beleza externa é a única valorizada, mostrar o próprio corpo como forma de se destacar ficou mais fácil ser vendido. Os educadores têm que saber reagir e saber ensinar que o corpo é o templo de uma alma, no qual moram a beleza, o amor, o respeito, a dignidade humana. Dentro deste contexto, desde cedo, os pais não devem permitir que os filhos andem pelados pela casa, que aprendam a vestir o pijama para dormir e tirá-lo quando se acorda, que é preciso vestir-se com elegância, combinando as cores, o que não quer dizer, ter que utilizar roupas caras, mas duráveis, que a roupa tem um tempo certo para ser usada e quando ultrapassa esse tempo deve ser colocada no cesto de roupa suja para ser lavada no dia combinado, que existem roupas próprias para os meninos e outras para meninas. É bom que os educadores saibam que o primeiro critério de autocategorização das crianças é o sexo e que por isto eles escolhem os companheiros do mesmo sexo para brincar, independente das pressões sociais. Não entraremos neste artigo sobre as questões de ideologia de gênero, pois já tive a oportunidade de falar sobre isso em outro momento. Mas, sem dúvida, a educação dos pais em relação à roupa correta para cada sexo irá fortalecer essa consolidação sexual em todo o processo educativo e mais ainda a partir dos seis anos de idade, quando pode ocorrer alguma confusão de gênero, causado quase sempre por motivos desordenados na família.
  Por fim, um aspecto importante para construir a verdadeira Beleza da criança é a forma de brincar e divertir-se. Neste campo, as diferenças entre meninos e meninas também são notáveis e os educadores terão que saber respeitar as exigências de cada sexo, adequando as alternativas às suas necessidades. Um menino precisa correr muito: seus níveis do hormônio testosterona são mais elevados do que nas meninas e por isso eles precisam de mais atividades externas. Isto não quer dizer que as meninas não necessitem também se exercitar nessas atividades físicas e psicomotoras, mas poderão ser mais tranquilas e não tão demoradas. Talvez quando as crianças já estão chegando ao seu desenvolvimento físico mais completo (em torno dos 10 anos), é muito aconselhado colocá-los em esportes que se adequam ao seu gosto, como forma de se ganhar mais autoconfiança, equilíbrio e rijeza. Talvez o maior cuidado que os educadores têm que ter na atualidade é na vigilância do tempo diante da televisão e em outros aparelhos eletrônicos. Está indicado pela Associação de Pediatria Americana (APA) um limite máximo de duas horas por dia para que uma criança fique exposta aos videogames, TV, desenhos animados, etc. É sabido que, para os pais, cumprir esta limitação se torna um desafio, principalmente pela pressão social para acompanhar programas, novelas, esportes, desenhos, e a tentação por ceder nesses instrumentos de diversão são grandes. Mas é preciso recordar que nessas idades a força manipuladora é enorme, que as crianças precisam desenvolver sua própria capacidade imaginativa e é muito mais formativo desenvolver sua capacidade de se encantar com o mundo real. Por isso, o mais adequado nos primeiros anos da vida de uma criança é deixá-la brincar sozinha com seus cubos de madeira, suas espadas, suas pedrinhas, suas observações nas formigas, nas cigarras, nas plantas, e depois fomentando o hábito da leitura de livros, da prática de instrumentos musicais. Quando os pais entenderem que essa forma de brincar é muito mais enriquecedora para a formação integral da criança, terão mais forças para cumprir o que está indicado pela APA.
  Concluamos este artigo, na esperança de que tenhamos conseguido elucidar muitos leitores e educadores para um tema de real importância. Acredito que grande parte da indústria da moda, da diversão, dos cosméticos, entre outros, não seja consciente dos enormes perigos que está produzindo com o comércio de seus produtos. A ética utilitarista, que se motiva com a máxima que os fins (econômicos/lucros) justificam todos os meios (venda dos produtos infantis a qualquer custo e por qualquer mídia) é o que está norteando suas políticas e estratégias de marketing. A única forma de combater esta onda mundial é conscientizar seus consumidores da pobreza que esses produtos podem estar provocando na sua Beleza, externa e interna, e que existem muitas outras fontes de Beleza que poderão ser incentivadas por meio da educação, principalmente, por meio da educação do encanto.


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